segunda-feira, 5 de março de 2012

Posições

 Para aonde à necessidade de tomar posições nos levar...

Não sei se é assim que ocorre com você, mas ultimamente tenho tido a necessidade de falar uma língua universal, de entender a realidade num âmbito global, de forma completa. Essa vontade de visitar certos aspectos da vida, acaba levando a gente a distanciar-se de certas coisas e isso talvez seja necessário. Vejamos.

Os "ideais verdes" sempre me perseguiram e perseguem. Vendo o mundo do jeito que está, não há como não se interessar em conhecer a vida de pessoas que dedicam muitas horas do seu dia para salvarem o planeta que é de todos e o que fazem.  Ações promovidas pelos agrupamentos verdes ganham cada vez mais adesão pessoal (ativismo verde), a exemplo do Greenpeace World e Brasil e da WWF, principais referências na luta pelo meio ambiente sadio.
No Brasil, as discussões acerca do Novo Código Florestal que está por vir, concentram-se em torno das mudanças que se efetuarão, na demarcação de divisas, nas consequências de sua implantação: o perdão de dívidas (multas) milhionárias dos filhos do agronegócio, o assoriamento dos rios, o favorecimento do desmatamento e a destruição dos ecossistemas nacionais, o risco à integridade das florestas brasileiras e etc. 
 Não só na temática verde, isso já me ocorreu em relação à política, com suas interfaces corrosivas e seus denunciados desvios. Sou filiado a um partido político que é engajado nas lutas a favor do povo brasileiro, que se tornou referência em ética e luta social, em amortização das desigualdades. Embora eu seja um longínquo e inexistente militante efetivo, não deixei de acreditar no ideal do justo e do correto.
De modo mais permanente, tenho me afeiçoado cada vez mais ao ideal humano de ligação divina, à comunhão com jovens de diversos países no compartilhamento das nossas  vivências humanas, a nossa relação com a pátria celeste, comum a todos, por isso universal. A religião (o ópio do povo para Nietzsche) para mim é um alento aos indivíduos que necessitam conduzir suas vidas sob uma mão divina.
Prosseguir me interessando, estudando, me afeiçoando a determinados seguimentos, que vão construindo minha personalidade, me distancia de determinadas coisas, de "amigos", de situações, de convites. É como se uma "seleção natural" ocorresse sempre que enxergam em minha testa algo de que eu não trato abertamente como todos, mas que não constitui segredo.

A nossa conversa acerca do Código Florestal, ONG´s e Ativismo não pára por aqui.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O pacote do absurdo

O pacote do desespero contém itens, tais quais, ENEM, SISU, REUNE.

O Programa Sistema de Seleção Unificada (SISU) do Governo Federal está longe de atender aos fins a que se destina. Selecionar estudantes do ensino médio em todo o Brasil para o ensino superior demanda mais que um simples sistema unificado de seleção, mas a quebra de paradigmas e "mitos" não solucionados no sistema de ensino brasileiro.
Com a experiência da última seleção, evidenciou-se ainda mais o caráter da neo política educacional no sistema de ensino brasileiro: criação de vagas para abastecer cursos sem qualidade em câmpus universitários mal instalados ou inexistentes.
É um absurdo, tanto esse pacote, quanto a situação de milhares de estudantes brasileiros, de escolas técnicas/tecnológicas e universidades federais. Acompanhei o desesreipeito a universitários da UFAL no semeste passado, do câmpus da cidade de Delmiro Gouveia/AL. 
Lutavam para que tivessem o básico para o desenvolvimento das atividades rotineiras do curso, como uma simples, pasmem!, sala de aula. Pois é, o sucateamento do ensino público federal brasileiro anda de vento em poupa, exatamente como muitos querem.
A politica de interiorização das universidades federais, adeptas do REUNI, dentre elas a nossa querida UFAL, é expandir sem qualidade. Não sou contra e jamais serei, pois o acesso ao ensino público deve ser patrocinado de forma inconteste pelo Poder Público. No entanto, a expansão que está ai, pautada nos ditames políticos do Governo, foge à qualidade e às necessidades do ensino superior de qualquer instituição. Da forma que está, sou contra!
E depois, de tanto triunfarem as universidades particulares do alto de seus lucros ativos com o Governo, advindos de mais de 1.000.000,00 de vagas do PROUNI, chegamos a era do SISU (e a manutenção de todos os outros "sistemas!).
Isso mesmo, todos esses sistemas de seleção/expansçao promovem o pacote do absurdo, do desespero. Enquanto estudantes de escolas públicas, negros e indíginas possuem cotas em universidades públicas, através das chamadas ações afirmativas, milhões de recursos deixam de ser investidos na educação básica brasileira, que abastecerá o mercado brasileiro de "pérolas" (em que sentido for, serão "pérolas"!).
Nos resta evidente que o ensino nas escolas particulares diferem das demais e desponta como o ideal para a aquisição de vagas em universidades públicas.  É o verso do reverso. Tudo ao contrário. E nós ainda rimos!
Uma imensa contradição expõe um problema maior a ser solucionado, mas que a conveniência política insiste em mitigar: a necessidade de uma revolução educacional no Brasil, que amarre os cadarços de um tênis velho de uma criança humilde, que estampe um sorriso nos olhos de um adulto a receber seu canudo numa solenidade há muito aguardada.
Essa tarefa tem designação, função e escolha popular, tem representante, mas ninguém pra fazer.
Depois de selecionar mais de cinco mil vagas a estudantes de todos os Estados, foi veiculado hoje pelos periódicos da web, que a Universidade Federal de Alagoas, do alto de sua 2ª chamada para matrículas dos feras do SISU, restam ainda mais de duas mil vagas a serem preenchidas. Será que os estudantes desistiram de cursar? São de outros Estados? Estão desatentos?
Bem, confesso que depois de ouvir muitos depoimentos de examinandos do MEC não-selecionados, acredito que vontade e disposição para o estudo não falta. Resumo:
Antes do SISU: muitos almeijam, alguns conseguem;
Depois do SISU: muitos almeijam, poucos conseguem, sobram-se vagas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Outra chacina!

Assunto quase calado na cidade, chacina de Tapera completa 28 anos sem nenhum culpado.
Em meio a toda repercussão acerca do julgamento dos acusados de um dos crimes mais bárbaros que Alagoas pode ver, a chamada "chacina da Gruta", a qual foi executada a Deputada Ceci Cunha e familiares, "recordo" (entre parênteses, mesmo - não presenciei o fato!) da inconteste dor por qual passou meus familiares num dez de janeiro de 1984 de fel.
Mais do que hoje, obviamente, em Alagoas, os crimes de mando e a pistolagem reinavam absolutos. Lá pras bandas do sertão, as coisas acontenciam à luz do dia, na frente de todos, sem peso na consciência. É certo que o povo setanejo carrega com pudor certa valentia, uma bravura inata ao sofrimento de todos os anos, ocasionado pela estagiam e pela pobreza que sempre lhe fora peculiar.
No entanto, naqueles tempos, aparentemente quase findos do coronelismo, a valentia possuia outra vertente. As ordens, os acochos políticos e as beneces nada gratuitas dos coroneis, patrocinavam o terror e as lágrimas de muitos outros sertanejos.
A política fornecia prestigio e poder, tudo o que eles queriam. Em Tapera, a situação na era diferente. Ainda que a cidade já contasse com alguns anos de emacipação do município de Pão de Açúcar, quando o assunto era política, a "província" era uma só. Mandar nessas duas cidades foi privilégio e ousadia de muitos. Perdê-las, foi um terror.
Grupos políticos se formaram, com gente de todos os gêneros, e as disputas por espaço político em terras taperenses aconteciam no sufoco de muitas becas. O auge do autoritarismo e da crueldade ocorreu em janeiro de 1984, história que muito ouvi falar e que vivi pelas memórias que conheci na casa de minha tia Maria Auxiliadora.
Nesse 10 de janeiro de fel, foram ao chão três amigos, políticos e cidadãos taperenses, dentre eles o esposo de minha tia e madrinha querida, Wellington Pinto Fontes, técnico contábil, estudante de medicina, ex-vereador por São José da Tapera e aspirante ao cargo de Chefe do Executivo Federal. 
A chacina de Tapera é um episódio curioso. Lembrado somente por alguns, esse acontecimento grotesco da história, praticamente esquecido, não sei se por conveniência, não representou o fim dos crimes de mando pelas bandas do sertão, pelo contrário.
Três famílias ficarão órfãs. Tapera foi suja com sangue. A parte dessa história que conheci continha inúmeros recortes de jornais, inúmeros mesmo, algumas maletas intáctas, repletas de anotações pessoais, livros, discos de vinil, um par de sapatos brancos velhos, sujos de sangue, fotos, e um cheiro acentuado de mofo.
Muitos preferem esquecer, deixar no passado. Meus primos cresceram sem pai, sofreram e sofrem a ausência insubstituível do seu genitor em suas vidas. Sofrem porque houve sangue derramado e ninguém punido. Pelo que constato, a conveniência política movida pelas forças políticas da cidade, impedem que a história seja lembrada. Como pode um povo avançar, como pode um povo ser consciente da sua realidade sem conhecer sua própria história?
Passados 28 anos desde a tragédia, nada mudou. Reportagens foram feitas e esquecidas. Discursos foram feitos, lembrados e engavetados. Pessoas foram presas e soltas. Não houve nenhum culpado. 

Vergonha!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012 com a 130º postagem

Inicio a primeira postagem do ano, a 130ª postagem do blog, movido por motivos e fatores.
Não costumo fazer postagens de fim de ano, o que já fiz aqui no blog foi um esbouço de "uma pequena vida num ano perfeito", contendo os imensos desejos que nos habitam, esperanças, desapegos, novidades.
Enfim, se não acreditasse nesse ano novinho em folha que já nos resgatou da velhice de 2011, não estaria aqui para afirmar minha certeza de que 2012 será diferente.
12 é o meu número de sorte (deixa eu crêr que isso existe?). Nasci num 12 de julho especial. Tenho 12 meses para escrever mais um ano da minha história.



Por mais que aspiremos coisas, e coisas, e coisas, é difícil vislumbrarmos sem planejamento qualquer sucesso ou meta a serem alcançados. Usemos da força que nos é própria, vamos tranferir nossos desejos para a realidade. Vamos lutar!
Há pessoas que esperam por você, há fatos novinhos a serem acontecidos, há evidências a serem enxergadas, há amores pra serem intensos, há motivos para serem usados e há conquistas nos esperando.
O período de tempo, em verdade, não importa. Pode ser que o "tudo de melhor" que tanto nos foi desejado aconteça hoje, amanhã, no último dia do ano. O importante é não parar de correr atrás... fazer por onde.

Acredito em 2012, confio e irei lutar para que seja o ano da minha vitória.

Vamos?

Um 2012 com saúde a todos.

P.S. Aos amigos virtuais, obrigado pelo carinho de sempre, em especial aos amigos Gloria Maria, João Abílio e Wenndell Amaral, cujos blogues sigo, indico e aplaudo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Apesar de,

Quando a mente resgata a época em que estamos no ano, não há sensação melhor que revisitar aqueles gostos, aquelas pessoas, aqueles lugares, a casa do jeito que era. Tudo evolui para que esqueçamos o quanto foi bom o tempo que passamos junto de todos os nossos queridos, as carcterísticas que fizeram de um momento, um grande espetáculo da vida, perfeito e inacabado, inacabado pela necessidade nossa de voltarmos a viver tudo aquilo.
Hoje as datas me parecem superficiais, não pelo significado, mas pelas pessoas que não estão mais presentes, pelos momentos que sei que jamais irei ter, pela vida que me foi injusta (em partes), pelo amor que resgato e não posso entregar por completo.
Aprendi que por mais que as poesias, os conselhos, os eufemismos tentem amenizar as "partidas" e nos fazer permanecer intactos no sentimento, nada é válido quando o objeto da nossa alegria ou completude se foi. Pessoas se vão para sempre quando partem e quando permanecem de uma outra forma na qual não a aceitamos mais.

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Tenho entrado num turbilhão de coisas, em dores de cabeça que procuro a causa. Não sei o porque, mas sempre acho que tudo poderia ser diferente. O "se" e o "mas" me tomaram de um jeito que não consigo conviver sem pensar nos poréns, nas possibilidades. É como se a ansiedade acelerasse o metabolismo, é como se as minhas células começassem a morrer antes do tempo, é como se o ar fosse aos pulmões sem antes ser filtrado. Meus cabelos estão cada vez mais brancos, minha pele tem sinais de sol, eu não consigo exergar sem óculos, eu não domino meus impulsos grotescos, eu me traio, eu me saboto e o pior, tenho consciência de tudo isso.

Sinto, a cada dia, que estou partindo também e isso não me assusta.

domingo, 27 de novembro de 2011

Eu vim dizer

Hoje acordei há tempo de escrever e ao final concluir, sem usar aspas, que mudei. Não vejo (e quantas vezes terei que dizer isso?) as coisas como via antes.
Aberto ao mundo, de tudo que me rodeia, sei que agora ninguém poderá conquistar o que somente eu sonho.
Desesperadamente... não procure uma direção certa para realizar nada. Sirva-se da estrada e ande pela sorte de viver, você renasce a cada dia. Arrebente a corrente que te prende, até com os dentes. 
Os pés firmes no chão podem dar passos largos. Não voe! Você nunca saberá o tamanho do passo que estará dando, perderás a razão. Somente solidificando esses quereres humanos é que poderemos nos dar ao luxo de sairmos andando sem direção. O vento leva... tudo!
Reparo nas coisas do dia a dia. Me absorvem, me querem (ou não!), me conquistam, me desmerecem, me falam, me traem. Olhe no fundo dos olhos... tudo que fales sobre o mundo, sobre os lugares, sobre as pessoas, será demasiadamente impossível para alguém (escalas e medidas).
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Que tolo! Eu não observava o teu afago. Que em todo momento sempre me deixei levar pela tranquilidade que emana da sua presença. Presença que eu não mais tenho. Hoje, pela irredutibilidade do ser que te mostras (eternizado)... só cabe a mim reconhecer em você a luta, a luta por não desistir de mim, por expressar o seu amor ainda que em palavras usuais. E tudo se completou... por que "quando a gente cresce, a gente aprende a dar valor a quem tá perto."¹

Hoje acordei a tempo de dizer que eu não me entreguei, eu vim lutar!


¹ Vide "Um cara de Sorte". Detonaltas Roque Club.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Formação (e emacipação) Humana

  Quando decidi me debruçar, a princípio por imposição de uma prova, sobre a economia política (de forma inicial), não imaginaria  o mundo que se abriria diante daquelas linhas. Como tamanha grandiosidade se guarda em modestas linhas de um livro de bolso? É dedicação, conhecimento, cultura e consciência demais para que eu só venha a interessar-me tardiamente (antes que nunca!).
  A princípio, deiquei-me ao livro Economia Política: Introdução Crítica, de José Paulo Neto e Marcelo Braz. A obra faz parte da biblioteca básica de Serviço Social. Embora não seja um dos livros indicados no programa de pós-graduação em Direitos Sociais e Gestão Social da Universidade Federal de Alagoas, é a partir dessa obra que chega-se ao nível ideal para alçar vôos mais altos nesta seara.
  Os deslindes da história, desde os primórdios aos dias atuais, numa acepção economica-política se mostra um fator interessantíssimo para quem pretende entender o mundo a sua volta como produto da história, do ser social que abandonou o estado selvagem para transformar a natureza, sem, contudo, deixar de fazer parte dela.
  Embora seja uma obra introdutória e trazer aspectos fundantes da tradição marxista, não significa dizer que estar-se diante de algo não tão científico, improfundo. Pelo contrário, o desenvolto autor, nos remete todo instante a apontamentos acerca dos modos de produção que se sucederam. A questão central da obra são as relações do homem com o homem no modo de produção capitalista (homem x homem), e mais afrente em seu estágio atual, o imperialismo, com suas crises cíclicas, infindáveis, estruturais, ja trazidos à baila no blog (leia aqui).
  Enfim, nos dizeres de Elisabete Borgianni o livro fornece "os elementos principais para o debate sobre as condições de existência do capitalismo e, o que é mais importante, de sua superação, rumo a uma organização societária onde o ser social passa realmente ver-se emacipado dos processos alienantes e potecialmente barbarizantes impostos pelo capital."
  Trazer mais de duzentas páginas de um livro para um espaço como esse não é a minha intenção. Me empolgo com o novo, com a descoberta. Afinal, todo o trabalho que estou tendo para entender um pouco dessa realidade maluca em que vivemos perpassa algumas horas de dedicação, tudo para destrinchar as veias que levam à emacipação humana e mais que isso, acerca dos desvios históricos, pois a intevenção de políticas públicas, dos direitos sociais e do próprio serviço social só existe e é preemente, em virtude do capital, assoriante e avassalador.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Prêmio de Fotografia - Ao Relento

Guilherme Mohallem, fotógrafo que atuou no filme Ao Relento, gravado também em São José da Tapera, ficou em 2º lugar no Prêmio de Fotografia instituido pela Fundação Conrado Weesel. O ensaio que sagraou-se vice-campeão chama-se "Drom, o caminho cigano" e foi realizado durante as filmagens do filme.
A notícia foi veiculada pelo blog do filme Ao Relento, (segue o link) e destaca o discurso do fotógrafo, que agradece a toda a equipe que participou nas filmagens do filme. 
As imagens premiadas mostram as personagens humanas sob forte expressão visual, bem como as paisagens típicas do sertão: o céu, o homem, o animal, as árvores.

Alguns clicks


Foto: Gui Mohallem/ Drom, o caminho cigano

Foto: Gui Mohallem/ Drom, o caminho cigano

Foto: Gui Mohallem/ Drom, o caminho cigano

Foto: Gui Mohallem/ Drom, o caminho cigano   


Créditos: 
http://www.filmeaorelento.blogspot.com/
Fotógtafo Guilherme Mohallem

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